Lei do Airbnb no Rio de Janeiro: É Proibido? O Que Dizem o STJ, a Câmara e os Condomínios

Resposta rápida Não, o Airbnb não é proibido no Rio por lei municipal. A restrição mais concreta hoje vem do condomínio: em maio de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que, em prédio de destinação residencial, a locação por curta temporada só pode acontecer se a assembleia aprovar, com 2/3 dos condôminos — e convenção omissa não autoriza. Em setembro de 2026, o STJ afetou o Tema 1.443 para fixar tese vinculante sobre o assunto e suspendeu os processos no país. Na Câmara Municipal, o PL 2265/2026 cria cadastro obrigatório para anfitriões e obrigações para as plataformas, mas não proíbe a atividade. Para quem vai comprar pensando em Airbnb, a pergunta certa deixou de ser "é proibido no Rio?" e passou a ser "este prédio permite?".

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Diferente dos outros artigos deste cluster, este aqui não é sobre estratégia — é sobre regras. E regras sobre Airbnb no Rio estão em movimento acelerado em 2026, com frentes acontecendo ao mesmo tempo na Câmara Municipal, no Judiciário e dentro dos próprios condomínios. Vamos separar o que já vale do que ainda está em discussão.

Linha do tempo da regulamentação de Airbnb no Rio de Janeiro em 2026 Maio/2026 PL 2265/2026 protocolado na Câmara Maio/2026 STJ: prédio residencial precisa de 2/3 da assembleia para liberar Setembro/2026 STJ afeta o Tema 1.443 e suspende processos em todo o país Hoje PL ainda em tramitação, tese do STJ pendente
Linha do tempo da regulamentação de Airbnb no Rio de Janeiro em 2026. Fontes: STJ (REsp 2.121.055 e Tema 1.443) e acompanhamento da tramitação do PL 2265/2026.

Três frentes se movendo ao mesmo tempo

O momento regulatório do Rio para locação por temporada tem três eixos independentes, cada um em estágio diferente:

O projeto de lei na Câmara: PL 2265/2026

O texto em tramitação, protocolado em maio de 2026 como reformulação de um projeto anterior, propõe criar um Cadastro Municipal Simplificado de Hospedagem Temporária. Nas versões divulgadas até o momento, o projeto prevê:

Um ponto importante: o projeto não proíbe a atividade nem cria imposto novo. O tratamento do ISS e de uma eventual taxa de turismo variou entre as versões do texto e depende da Reforma Tributária nacional e de legislação própria. O texto ainda não é lei e pode mudar nas comissões antes de ir a votação.

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Regulamentação Airbnb Rio de Janeiro: Panorama das Frentes

FrenteSituação
ISS municipalEm vigor; pessoa física em locação por temporada, em regra, não recolhe
IPTUAlíquota residencial bem inferior à não residencial — regime de temporada preserva o uso residencial
Cadastur (federal)Obrigatório para pessoa jurídica de hospedagem; facultativo para pessoa física
CondomínioSTJ (maio/2026): em prédio residencial, liberar a curta temporada exige 2/3 da assembleia; Tema 1.443 (set/2026) vai fixar tese vinculante
Cadastro municipal (PL 2265/2026)Em tramitação na Câmara, ainda não é lei

A regra que já pesa mais hoje: o condomínio

Enquanto o projeto de lei municipal ainda tramita, quem realmente decide se você pode operar Airbnb no seu prédio, na prática, é a assembleia de condôminos — não a Prefeitura. Em 7 de maio de 2026, a Segunda Seção do STJ (REsp 2.121.055, relatora ministra Nancy Andrighi) entendeu que, se o condomínio tem destinação residencial, as unidades também devem ter uso residencial. Oferecer o imóvel em plataformas como o Airbnb muda essa destinação e, por isso, precisa ser aprovado por 2/3 dos condôminos. A convenção omissa não serve como autorização.

O tema ainda não está pacificado de forma vinculante. Em 17 de setembro de 2026, o STJ afetou o Tema 1.443 (REsp 2.272.536 e 2.272.537, relator ministro Raul Araújo) para decidir se a simples cláusula de destinação residencial basta para impedir a locação de curta temporada. Até o julgamento, os processos individuais e coletivos sobre o assunto estão suspensos em todo o país. Na prática, quem já opera segue sem uma decisão final contra si, mas o risco de restrição em prédios residenciais comuns aumentou.

Um ponto de proteção que vale guardar: decisões da Justiça no Rio já reconheceram que um condomínio que proíbe a atividade em assembleia não pode aplicar multa retroativa a reservas contratadas antes da proibição — o que reforça a importância de guardar comprovantes de reserva com data.

💡 Resumo do especialista
A pergunta que mais recebo sobre esse tema não é "é proibido no Rio?" — é "meu prédio específico permite?". Depois da decisão do STJ, a resposta mudou de lado: em prédio residencial comum, o ponto de partida agora é "não, até a assembleia aprovar". Por isso, para quem vai comprar pensando em Airbnb, faz mais sentido olhar empreendimentos que já nascem pensados para locação de curta temporada do que tentar mudar a regra de um prédio antigo depois.

ISS e IPTU: o que já vale hoje

Para pessoa física operando locação por temporada de até 90 dias, sem prestação de serviços de hotelaria (como café da manhã ou arrumação diária), a atividade é tratada como locação — e locação, em regra, não é alcançada pelo ISS. Isso muda se a operação passa a ser feita via pessoa jurídica com atividade de hospedagem, caso em que o ISS municipal passa a incidir.

Sobre o IPTU, a diferença entre a alíquota residencial e a não residencial no Rio é significativa — manter o enquadramento como locação por temporada residencial, dentro das regras da locação por temporada, é o que evita a reclassificação do imóvel para uso comercial e a cobrança na alíquota mais alta.

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Checklist antes de operar (ou continuar operando)

  1. Peça ao síndico a convenção do condomínio e as atas das últimas assembleias — procure pela destinação do prédio e por "temporada", "hospedagem" ou "curta duração"
  2. Se o prédio for residencial e não houver autorização, avalie levar o tema a uma assembleia com pauta específica — são necessários 2/3 dos condôminos
  3. Regularize seu regime fiscal — pessoa física com recolhimento mensal apropriado, ou pessoa jurídica com enquadramento correto, conforme orientação do seu contador
  4. Guarde comprovantes de cada reserva com data, como proteção caso o condomínio venha a restringir a atividade no futuro
  5. Acompanhe o julgamento do Tema 1.443 no STJ e a tramitação do projeto de lei municipal

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Quer entender como a legislação afeta um empreendimento específico que você está avaliando?

Em uma conversa de aproximadamente 20 minutos podemos analisar:

  • A convenção de condomínio do empreendimento de seu interesse
  • Se o prédio já tem vocação declarada para locação por temporada
  • Encaminhamento para advogado ou contador especializado, se necessário
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Avisamos por e-mail quando o STJ julgar o Tema 1.443 ou quando a Câmara votar o PL 2265/2026 — com o que muda na prática para quem tem ou vai comprar um studio.

Perguntas frequentes

O Airbnb é proibido no Rio de Janeiro?

Não existe proibição municipal. O projeto de lei em tramitação na Câmara (PL 2265/2026) cria cadastro e obrigações para anfitriões e plataformas, mas não proíbe a atividade. A restrição prática vem dos condomínios: pelo entendimento do STJ, em prédio residencial a locação de curta temporada depende de autorização da assembleia.

Meu condomínio pode proibir Airbnb mesmo sem uma regra específica na convenção?

Sim. Em maio de 2026 a Segunda Seção do STJ (REsp 2.121.055) entendeu que, em condomínio de destinação residencial, a convenção omissa não autoriza a locação de curta temporada: para permiti-la é preciso aprovação de 2/3 dos condôminos em assembleia. O tema ainda terá tese vinculante no Tema 1.443.

O que é o Tema 1.443 do STJ?

É o recurso repetitivo afetado pelo STJ em setembro de 2026 para decidir, com efeito vinculante, se a cláusula de destinação residencial da convenção basta para impedir a locação por curta temporada. Enquanto não houver julgamento, os processos sobre o assunto ficam suspensos em todo o país.

Como saber se um prédio aceita Airbnb antes de comprar?

Peça a convenção do condomínio e as atas das últimas assembleias e procure por destinação do prédio, locação por temporada, hospedagem e curta duração. Em lançamentos, confira se o empreendimento já nasce com destinação ou gestão voltada à locação de curta temporada. Libere o checklist completo de 10 pontos.

Preciso pagar ISS se alugo meu studio por temporada como pessoa física?

Em regra, não. Locação por temporada de até 90 dias é tratada como locação, não como prestação de serviço de hospedagem, e por isso normalmente não é alcançada pelo ISS.

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Sobre o Rio Living Studios

O Rio Living Studios é especializado em studios para investimento imobiliário no Rio de Janeiro. Nosso trabalho é ajudar investidores e compradores a encontrar empreendimentos alinhados ao seu perfil, utilizando dados de mercado, análise de localização e potencial de valorização.

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